A redução de verbas e os cortes orçamentários do governo federal no Banco Central (BC) atrasam projetos de atualização tecnológica do Pix, sistema que processa cerca de R$ 3 trilhões em transações mensais. Especialistas afirmam que a limitação de recursos eleva o risco operacional e ameaça a segurança contra ataques de hackers.
Em junho, após um corte de R$ 92 milhões no orçamento do BC, a renovação de contratos de tecnologia que sustentam o sistema, usado por 80% da população, ficou em risco. A autarquia havia alertado a necessidade de mais R$ 30 milhões, mas o governo liberou R$ 45 milhões por meio de crédito suplementar de emergência. Atualmente, a necessidade para evitar corte de investimentos é de R$ 75 milhões, enquanto o orçamento discricionário do BC para este ano soma R$ 444 milhões, segundo dados de julho.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou o Pix por acelerar a inclusão financeira, mas recomendou que a supervisão do sistema seja fortalecida para prevenir fraudes e ataques cibernéticos. A segurança se tornou prioridade após um ataque em junho de 2025, no qual hackers desviaram cerca de R$ 1 bilhão de uma empresa conectada ao sistema.
Técnicos alertam que valores inferiores a R$ 500 milhões aumentam significativamente o risco de falhas no sistema. Um integrante da equipe econômica do governo disse que o BC será beneficiado pela liberação de R$ 5,7 bilhões nas despesas do Orçamento, e que o problema orçamentário do Pix será resolvido no Projeto de Lei Orçamentário (PLOA) de 2027.

