Uma revisão científica recente aponta que a creatina pode potencializar o tratamento da depressão, atuando como um complemento terapêutico. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Ottawa, reuniu dados de seis pesquisas internacionais envolvendo 238 participantes. Os achados indicam melhora de sintomas em pacientes com depressão quando o suplemento foi usado com antidepressivos.
A suplementação diária de 5 gramas de creatina, associada a medicamentos como o escitalopram, demonstrou melhora significativa nos sintomas de depressão em comparação ao placebo, segundo a análise. Os resultados positivos também foram observados quando o suplemento foi combinado com terapia cognitivo-comportamental. Contudo, os benefícios não foram confirmados em pacientes com transtorno bipolar, e dois participantes apresentaram episódios de mania ou hipomania após o uso do suplemento.
Pesquisadores explicam que a creatina pode favorecer o metabolismo energético cerebral, auxiliando no fornecimento de energia às células. A nutricionista Taynara Abreu afirmou que o suplemento pode potencializar a resposta aos antidepressivos, mas enfatizou que ele não substitui o tratamento médico. Ela ressalta que a suplementação deve ocorrer apenas após avaliação clínica completa, incluindo exames laboratoriais.
Os autores da pesquisa alertam que os estudos analisados tiveram duração média de apenas oito semanas e envolveram um número reduzido de participantes. Por isso, defendem a realização de pesquisas mais amplas e de longo prazo antes de incorporar a creatina como estratégia terapêutica padrão. Especialistas reforçam que o uso deve ser individualizado, sendo contraindicado para gestantes, lactantes e pessoas com doenças crônicas.

