O alto custo do crédito no Brasil é resultado da arquitetura institucional monetário-financeira, e não apenas dos spreads bancários. Segundo Maurício Martinelli Luperi, a solução passa por redesenhar o sistema para priorizar o desenvolvimento produtivo sustentável.
A análise indica que o sistema financeiro brasileiro se tornou eficiente em remunerar ativos, mas menos eficiente em financiar o investimento produtivo. O autor afirma que redesenhar essa arquitetura não implica abandonar a estabilidade monetária, mas sim recolocá-la a serviço do crescimento, produtividade e emprego.
Para essa transformação, são propostos quatro eixos. O primeiro foca em aperfeiçoar a política monetária, permitindo que bancos centrais distingam choques temporários de pressões persistentes de demanda. O segundo eixo sugere fortalecer o mercado de capitais, diversificando fontes de financiamento além do crédito bancário.
A ampliação da concorrência financeira, por meio de fintechs e Open Finance, é vista como crucial para reduzir custos de intermediação. Com maior concorrência e menor custo estrutural, o crédito ao consumidor deixaria de depender apenas da taxa Selic, refletindo um ambiente mais eficiente.
Martinelli Luperi conclui que o crédito permanecerá caro enquanto os sintomas forem tratados isoladamente. O desafio é construir uma arquitetura capaz de conciliar estabilidade macroeconômica, crédito abundante e desenvolvimento sustentável.

