Economistas afirmam que a expansão das linhas de financiamento do governo, embora estimule o poder de compra, eleva riscos fiscais e dificulta o controle da inflação. O aumento das operações de crédito pressiona a trajetória da dívida pública, segundo análises de especialistas.
Camilo Bassi, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), declarou que o crédito é uma ferramenta eficiente para o crescimento, mas que traz riscos. Ele explicou que o uso de recursos primários para financiar despesas financeiras gera um descompasso contábil que compromete o resultado primário. Bassi comentou que o governo pode escamotear efeitos fiscais ao focar apenas nos benefícios econômicos das medidas.
Outro ponto levantado é a flexibilização indireta da regra de ouro. Como os programas de crédito são classificados como inversões financeiras, eles ampliam as despesas de capital e aumentam a margem para novas operações de crédito, tornando a regra de ouro mais flexível. Além disso, o financiamento para compra de caminhões e ônibus alcança o valor de R$ 14,5 bilhões, e o programa Minha Casa, Minha Vida teve sua previsão elevada para R$ 44,8 bilhões.
Jeferson Bittencourt, ex-secretário do Tesouro Nacional, avaliou que o conjunto de medidas amplia o desafio do Banco Central. Ele observou que o financiamento de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativo e taxistas terá um custo estimado de R$ 8 bilhões para o Tesouro. Bittencourt afirmou que a dívida líquida do setor público atingiu 67,9% do PIB em maio, o maior nível da série recente.

