Grupos criminosos dominam a distribuição de alimentos, materiais de construção e serviços no Rio de Janeiro, estabelecendo monopólios sobre pelo menos 19 produtos. O controle, que se expande para a economia formal, custa cerca de R$ 21,4 bilhões por ano à economia fluminense, segundo estudo da Firjan.
A atuação do crime organizado no Rio de Janeiro evoluiu de barreiras territoriais para o controle de mercados essenciais. Facções e milícias operam como um cartel territorial, obrigando comerciantes a comprar mercadorias de fornecedores indicados por eles. Um caso ilustra essa mudança: em Duque de Caxias, a distribuição de ovos, antes custando entre R$ 8,99 e R$ 10,50, passou a ser feita por criminosos por R$ 14.
O promotor de Justiça Fábio Corrêa, coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), do Ministério Público do Rio, classificou esse avanço como a “terceira onda” do crime. Se antes extorquiam serviços, agora os grupos controlam o fornecimento de matérias-primas e produtos básicos. O economista Daniel Cerqueira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), afirmou que essa apropriação da distribuição puxa a produtividade da economia para baixo, reduzindo o crescimento sustentável.
A exploração afeta diversos setores. Além de alimentos, o crime avançou na venda de tijolos e areia na Baixada Fluminense. A Secretaria de Segurança aponta que 80% das empresas de internet em comunidades do Rio estão sob controle ou associadas a facções. Empresas legais nesses locais enfrentam gastos adicionais de cerca de R$ 9,7 bilhões por ano com segurança e logística, segundo a Firjan.

