O Brasil registrou 87.689 novas queixas de crimes digitais em 2025, um aumento de 28,4% em relação ao ano anterior, conforme dados da Central Nacional de Denúncias da SaferNet. O crescimento coloca o país no centro de ataques que impactam cidadãos e instituições financeiras, gerando prejuízos milionários.
O sistema financeiro sofre com a onda de ataques. O Banco Central do Brasil apontou 76 incidentes cibernéticos classificados como “graves” em 2025, representando um aumento de 29% em comparação a 2024. Os métodos de ataque incluem o aliciamento de colaboradores de prestadoras de serviço de tecnologia da informação (PSTIs), a interceptação de mensagens em assinaturas digitais e o uso indevido de credenciais obtidas por engenharia social.
Rodrigo Teixeira, Diretor de Administração do BC, declarou que os eventos recentes evidenciaram uma mudança de patamar no risco cibernético, que hoje é um risco estrutural do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ele explicou que avanços como o Pix e o Sistema de Transferência de Reservas (STR) ampliaram a exposição a riscos, apesar de promoverem inclusão e eficiência.
Eduardo Domingos, sócio da Vivacqua Advogados, afirmou que a cibersegurança transcendeu a questão técnica, tornando-se um pilar estratégico de governança. Ele citou que a estimativa global de custo anual de crimes cibernéticos atinge US$ 10,5 trilhões, segundo relatório da NTT DATA. Em um fórum do BC, Aristides Cavalcante, chefe do Departamento de Gestão Estratégica e Supervisão Especializada (Degef), reafirmou o compromisso da instituição com o combate aos crimes digitais.

