Eduardo Cunha, pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos, utiliza a aquisição de emissoras de rádio no interior de Minas Gerais para articular sua pré-campanha. A estratégia, que já alcançou 32 cidades, gera isolamento entre antigos aliados e correligionários locais.
A rede de emissoras, que opera em cidades mineiras, realiza mesas redondas com políticos locais, prefeitos e vereadores. Em Pouso Alegre, por exemplo, o ex-presidente da Câmara discutiu temas como a Copa do Mundo e o caso Master, minimizando a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e tratando como grave o envolvimento do senador Jaques Wagner com o mesmo.
A atuação de Cunha em Minas é marcada por intensa interlocução com representantes do interior. Segundo investigação da Polícia Federal, o ex-deputado destinou emendas parlamentares a 29 municípios mineiros, embora apenas três deles fossem governados pelo Republicanos. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens de Cunha.
Observadores afirmam que Cunha articula sozinho no estado, e antigos aliados buscam isolá-lo. Euclydes Pettersen, presidente do diretório estadual do Republicanos, disse que não tem poder para barrar a pré-candidatura, afirmando que o nome dele será colocado à aprovação popular. O ex-deputado, que foi preso em 2016 no âmbito da Operação Lava-Jato, busca fortalecer sua base eleitoral no estado.

