A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um processo para apurar irregularidades na renúncia do presidente do conselho de administração da Vale, Daniel Stieler. A investigação ocorre após alegações de que houve compensação financeira aprovada para que o executivo deixasse o cargo, conforme apurado por veículos de comunicação.
A abertura do processo pela autarquia ocorreu nesta quarta-feira (8). A apuração foca na compensação financeira, embora a CVM não tenha detalhado os termos da investigação. A saída de Stieler foi solicitada pela Previ, fundação que gere a previdência dos funcionários do Banco do Brasil, em junho. O executivo resistiu à solicitação, alegando que a fundação violava ritos internos e enfraquecia a governança da companhia.
Stieler renunciou em seis de julho, após a convocação de uma assembleia para o dia 22. Fontes próximas ao conselho confirmaram a existência de um acordo que garantiria ao executivo o equivalente a pelo menos um ano de contrato, embora o valor permaneça sigiloso. Um investidor, Renato Chaves, formalizou reclamação à CVM, questionando o descumprimento do artigo 154 da Lei das S.A., que proíbe atos de liberalidade às custas da companhia.
A Previ, maior acionista individual da Vale com 7,02% das ações, indicou Manuel Lino Oliveira para a presidência e José Maurício Coelho para a vaga. O conselho, contudo, havia rejeitado a destituição inicial, defendendo a evolução da governança. O atual vice-presidente, Marcelo Gasparino, lançou-se como candidato à presidência, cabendo a decisão final aos acionistas.

