A consultoria Arko Advice aponta que o risco geopolítico do Brasil depende majoritariamente das decisões do presidente dos Estados Unidos. O relatório classifica as tensões internacionais como risco médio, com viés de alta, e alerta para o impacto doméstico e eleitoral dos temas externos neste ano.
Os principais fatores de risco envolvem a Casa Branca e a estratégia de interferência americana. Um deles é a possível designação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como terroristas pelos EUA, o que gera efeitos diplomáticos e financeiros. Essa questão já causou atritos entre Brasília e Washington. O Itamaraty afirmou que vê possibilidade de uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro, mas declarou que a classificação “não trará benefícios concretos no combate ao crime organizado”.
Outro peso é a instabilidade no Estreito de Ormuz e o preço do petróleo. A disputa por controle da passagem marítima afeta a navegação e pode prejudicar a estabilização dos valores de combustível. A Arko também considera o impasse tarifário como risco. As negociações sobre tarifas de 25% por supostas práticas comerciais desleais do Brasil precisam ser observadas.
Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice, comentou que a geopolítica tem grande influência nas eleições, algo que não ocorria em grande escala desde 1945. Ele afirmou que a questão internacional altera a narrativa dos candidatos, prejudicando ambos os lados do debate eleitoral.

