O governo paraguaio convocou o embaixador do Brasil em Assunção nesta quinta-feira (30) para entregar uma nota formal sobre as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As falas do presidente brasileiro, feitas em Jacareí (SP) na sexta-feira (24), mencionaram a Guerra do Paraguai, conflito que dizimou grande parte da população do país vizinho.
O conflito, também conhecido como Guerra da Tríplice Aliança, foi o maior confronto armado da história da América do Sul, travado entre 1864 e 1870. Ele colocou o Paraguai contra a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai, originada de disputas políticas na região do Rio da Prata. O episódio é considerado o mais sangrento do continente.
Em resposta às declarações, o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, afirmou que o governo defenderá a “dignidade” e os interesses nacionais. Segundo ele, o governo compartilha o sentimento da população paraguaia diante de um episódio “tão sensível” da história do país. A Câmara dos Deputados do Paraguai também repudiou as falas, alegando que elas “distorcem e minimizam” a dimensão histórica do conflito.
A guerra teve consequências demográficas severas para o Paraguai. Estima-se que cerca de 150 mil paraguaios morreram no conflito, um número equivalente a 60% a 70% da população. O conflito terminou em 1º de março de 1870, após a morte do ditador paraguaio em Cerro Corá.


