A demógrafa Elza Salvatori Berquó faleceu em São Paulo, na última quinta-feira, dia 16, aos 100 anos. A cientista dedicou mais de sessenta anos de vida a pesquisas que moldaram o entendimento sobre saúde pública e direitos reprodutivos no país.
Com formação em matemática, Berquó foi responsável por consolidar a demografia como ciência no Brasil. Ela utilizava os censos populacionais para traduzir as transformações sociais e econômicas do século XX. Segundo a imprensa, sua trajetória foi marcada pela resistência, pois em 1968, durante o regime militar, ela foi aposentada compulsoriamente da USP.
Em resposta ao obstáculo, ela fundou o Cebrap, em 1969, ao lado de intelectuais como Fernando Henrique Cardoso. Além disso, ajudou a criar o Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Unicamp, que hoje leva seu nome. Jacqueline Pitanguy, cientista social, afirmou que “Elza Berquó conseguiu a façanha de unir o mais rigoroso rigor acadêmico ao compromisso inabalável com os direitos humanos.”
Berquó colocou a autonomia feminina no centro do debate. Ela defendeu os direitos reprodutivos e tratou o aborto como questão de saúde pública. Suas análises sobre mortalidade infantil e desigualdade social serviram para criar políticas públicas na Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD) nos anos 90, conforme declarou Richarlls Martins, atual presidente da CNPD.

