A escolha da decoração em imóveis de alto padrão deve ser vista como decisão financeira, e não apenas estética. Especialistas alertam que seguir tendências de design gera custos na revenda, pois o comprador enxerga necessidade de reforma em vez de valor imediato.
Tendências de decoração possuem ciclo de vida curto. O que é popular em um ano pode parecer datado em pouco tempo. Para propriedades destinadas à revenda, essa datação implica um custo concreto, segundo a arquiteta e designer de interiores Andria Tagliari. Ela explica que projetos de alto padrão devem ter uma camada que transcende a estética, tratando-se de ativos com presença cultural.
O design atemporal é aquele construído com identidade própria, cujos materiais e proporções se mantêm coerentes independentemente do momento do mercado. A diferença reside nas escolhas, como optar por mármore Calacatta em vez de porcelanato industrial da moda, ou priorizar a iluminação natural. Tagliari afirma que a intenção por trás de cada escolha define se o projeto será um ativo ou um passivo.
Dados de mercado reforçam essa visão. Análise da Zillow mostra que imóveis que necessitam de intervenção vendem, em média, 7,3% abaixo de casas similares. No segmento prime, a Knight Frank aponta que compradores afluentes evitam riscos de reforma, preferindo imóveis prontos para morar. Assim, o bom design se estabelece como parte da estratégia patrimonial, e não apenas um acabamento.

