A preservação das línguas indígenas ganhou destaque global com a Década Internacional das Línguas Indígenas, promovida pela ONU. No Brasil, o Museu Paraense Emílio Goeldi e parceiros utilizam dicionários multimídia para documentar e revitalizar línguas ameaçadas, combatendo a perda de saberes únicos.
A extinção de línguas indígenas representa a perda de conhecimentos específicos sobre fauna, flora e cosmologias. Uma investigação global constatou que mais de 75% dos 12.495 serviços relacionados a plantas medicinais estão vinculados a uma única língua, indicando que o risco linguístico é um fator crítico para a extinção do conhecimento medicinal.
No Brasil, a Amazônia Legal abriga cerca de dois terços de um universo de 150 a 170 línguas indígenas ainda faladas. Para enfrentar essa ameaça, linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi construíram Dicionários Multimídia em colaboração com comunidades. Sete dicionários bilíngues com português já estão disponíveis na plataforma.
Essas ferramentas digitais, que incorporam áudio e vídeo, funcionam como tecnologia social inovadora. Elas permitem que comunidades com poucos falantes fluentes estabeleçam contato com sua língua de tradição, servindo como reforço didático para as novas gerações.


