Integrantes da cúpula da ONG RioSolidário ocupavam cargos na Secretaria de Estado da Casa Civil do Rio de Janeiro, recebendo salários mensais próximos a R$ 10 mil. A situação, que contraria o estatuto da entidade, gerou questionamentos sobre a relação entre o setor privado e o poder público fluminense.
A ONG RioSolidário, criada em 1995, é uma entidade de direito privado sem participação oficial do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Contudo, registros de exonerações de comissionados no estado indicam que ex-diretores da organização ocupavam posições na Casa Civil. Entre eles, o ex-diretor financeiro Gilbrando Freitas e a ex-diretora executiva Ana Carolina Chateaubriand.
Gilbrando Freitas foi nomeado como assessor na Superintendência de Projetos Sociais da Casa Civil em agosto de 2023. Ele recebia uma remuneração bruta de R$ 13 mil por uma carga horária de 40 horas semanais. Embora seu vínculo fosse com a secretaria, ele gerenciava financeiramente projetos da ONG, que administrava cerca de R$ 15 milhões anuais. Ana Carolina Chateaubriand também possuía cargo comissionado na mesma subsecretaria e recebia o mesmo salário.
Especialistas em Direito Administrativo criticam a mistura entre o privado e o público. Juristas afirmam que o poder público não pode financiar instituições privadas. O advogado Hermano Carbenite comentou que se o cargo comissionado visa remunerar quem trabalha na ONG, o Estado financia indiretamente a entidade privada, o que pode configurar atos de improbidade.

