A disputa pela liderança em inteligência artificial deixou de ser um confronto exclusivo entre empresas e passou a envolver ecossistemas nacionais, afirmou o colunista Igor Lopes. A competição, analisada após conferência em Xangai, inclui capacidade computacional, produção de chips e padrões regulatórios, com China e Estados Unidos no centro da disputa.
Lopes declarou que o principal recado do evento foi a transformação da IA em uma competição entre ecossistemas nacionais. Segundo ele, a vantagem no setor não depende apenas da qualidade das ferramentas disponíveis ao público, mas também do domínio de semicondutores, centros de processamento de dados e normas técnicas. Ele comentou que a diferença de desempenho entre modelos chineses e americanos diminuiu nos últimos meses, indicando uma alternância na liderança entre os dois países.
Diante das restrições impostas pelos Estados Unidos à venda de chips avançados, a estratégia chinesa mudou. Em vez de focar apenas em modelos fechados, o país passou a investir em modelos de peso aberto, redução de custos e expansão internacional, buscando otimizar equipamentos disponíveis. Lopes afirmou que a disputa “deixou de ser exclusivamente tecnológica e passou a ser também diplomática”.
Durante o encontro, foi anunciada a criação de uma organização internacional de cooperação em IA, com sede em Xangai, que reunirá inicialmente 29 países. O colunista avaliou que este movimento visa ampliar a influência chinesa na governança global da tecnologia, pois “historicamente, quem estabelece padrões internacionais costuma ganhar mais influência econômica”.


