A violência urbana na América Latina é impulsionada por disputas territoriais ligadas ao tráfico de cocaína e pela fragmentação do crime organizado, explicam pesquisadores. Relatórios indicam que a maioria das cidades mais violentas do mundo concentra-se no Equador e no México, com seis cidades brasileiras listadas no ranking.
Juliana Manjarrés, pesquisadora da InSight Crime, afirma que as disputas territoriais, especialmente pelas rotas de tráfico de cocaína, são a principal causa de insegurança na América Latina e no Caribe. Ela explica que a fragmentação de grupos armados, seja por captura ou assassinato de líderes, desencadeia ondas de violência entre facções que competem por controle de áreas. A expansão de mercados ilícitos, como metanfetamina, extorsão e mineração ilegal, agrava essas dinâmicas de morte.
A especialista da InSight Crime comenta que as respostas comuns ao problema, como a militarização e a imposição de estado de exceção, geram efeitos “limitados ou até contraproducentes” para a segurança regional. Elizabeth Dickinson, do International Crisis Group, acrescenta que a fragmentação da cadeia do narcotráfico, que hoje opera em redes transnacionais, aumenta as possibilidades de grupos locais controlarem elos do negócio ilícito.
Em contraste, o Índice de Segurança, baseado em dados de moradores, aponta cidades como Florianópolis (Brasil) entre as dez mais seguras da América Latina e Caribe em 2026. Dickinson defende que a ação deve focar nas raízes da violência, como desigualdade e falta de oportunidades, visto que o crime organizado penetrou áreas antes consideradas blindadas.

