A dívida federal dos Estados Unidos ultrapassou 100% do Produto Interno Bruto (PIB) pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, atingindo 31,27 trilhões de dólares em março de 2026. O mercado de títulos do Tesouro acompanha a tendência, com o rendimento de 30 anos fechando em 5,15% em 22 de julho de 2026.
O aumento da dívida ocorre em um momento em que o Federal Reserve mantém a meta de fundos federais em 3,75%, após cortes de 75 pontos-base no último ano. Contudo, enquanto a ponta curta dos títulos segue a política monetária, a ponta longa reage de forma oposta. O rendimento de 20 anos, em 5,17%, superou o de 30 anos, um sinal de que investidores exigem maior remuneração para comprometer capital por décadas.
Três fatores impulsionam os rendimentos de longo prazo. A inflação permanece elevada, com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em 332,6. Além disso, o rendimento real do título TIPS de 30 anos subiu para 2,93%. Outro fator é a competição por capital, onde emissões de títulos corporativos de empresas de tecnologia, ligadas à inteligência artificial, disputam compradores com os títulos do Tesouro.
O Escritório de Orçamento do Congresso projeta que a dívida pública ultrapasse o recorde pós-guerra, chegando a 108% do PIB até 2030. A competição por capital já afeta as empresas, que enfrentam custos de empréstimo mais altos, enquanto o apetite por expansão de capital financiada por dívida diminui em alguns setores industriais.

