Pesquisadores de Yale e da Universidade de Pisa utilizaram análise de DNA antigo em restos mortais de membros da família Medici para comprovar que a morte de um cardeal e de um grão-duque ocorreu devido à malária. Os achados científicos refutam especulações históricas de que os indivíduos foram vítimas de envenenamento.
Em 1562, um cardeal da família Medici morreu de malária durante uma viagem à costa da Toscana. Vinte e cinco anos depois, seu irmão mais velho, o grão-duque, sucumbiu à mesma doença. O novo estudo, que analisou restos mortais dos dois indivíduos, identificou cepas do parasita Plasmodium nos ossos.
Os cientistas encontraram uma nova cepa de Plasmodium falciparum nos ossos do cardeal. Nos restos mortais do grão-duque, foram detectados traços moleculares de P. falciparum e de uma segunda espécie, P. malariae. A autora sênior Serena Tucci, professora assistente de antropologia em Yale, explicou que o trabalho demonstra o uso de métodos avançados de DNA antigo para mapear a história do patógeno.
O estudo, publicado na revista iScience, também gerou dados que podem orientar pesquisas atuais sobre a malária, doença que, segundo a Organização Mundial da Saúde, causou 610 mil mortes em 2024. O principal autor, Alexander Ochoa, afirmou que a cepa recuperada do cardeal possui duas mutações genéticas únicas, auxiliando na compreensão da evolução do parasita.

