Cientistas identificaram o bagrinho-de-kaetés, peixe ameaçado de extinção, em riachos do Sul do Espírito Santo. A descoberta, feita com análise de DNA deixado na água, ocorreu em três pontos monitorados entre Castelo e Vargem Alta, sem a necessidade de capturar o animal.
O bagrinho-de-kaetés, uma espécie de apenas 5 centímetros, foi reidentificado em riachos da bacia do Rio Itapemirim. A técnica de DNA ambiental (eDNA) permitiu aos pesquisadores rastrear os vestígios genéticos do peixe, que não era registrado na região há mais de uma década. O estudo, publicado na revista científica “Neotropical Ichthyology”, contou com a participação de pesquisadores do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e do Instituto Nossos Riachos.
A metodologia envolveu a coleta de apenas 180 mililitros de água em cada ponto analisado. Segundo a pesquisadora do INMA, Juliana Paulo da Silva, essa abordagem identifica comunidades inteiras de organismos com baixo impacto à fauna. Após a análise genética em laboratório da PUC Minas, os pesquisadores observaram exemplares do peixe, confirmando a eficácia da tecnologia em comparação com métodos tradicionais de captura.
O peixe capixaba é extremamente sensível a mudanças ambientais. A pesquisa localizou o DNA do bagrinho em dois pontos dentro da Reserva de Kaetés e em um terceiro em propriedade particular. Os pesquisadores alertaram para a preocupação gerada pela proximidade de pastagens e empreendimentos de piscicultura na área, apesar do interesse demonstrado por proprietários locais em preservar o local.

