Dois em cada três mulheres que buscaram atendimento médico após um caso de violência doméstica em 2024 já haviam sofrido agressões anteriores, revelou o Atlas da Violência. O estudo, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que a violência de gênero raramente ocorre como episódio isolado no país.
Em 2024, 186,1 mil mulheres foram atendidas após sofrer violência doméstica no Brasil. Desses casos, 100,8 mil, o que corresponde a 66,2% do total com resposta válida, disseram que a agressão já havia ocorrido pelo menos uma vez antes. As 51,4 mil restantes, ou 33,8%, relataram que aquele foi o primeiro episódio de violência.
Especialistas afirmam que o ciclo da violência geralmente começa com ameaças e avança para agressões, podendo culminar em feminicídio. A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, comentou que romper esse processo é difícil porque a violência ocorre dentro de relações afetivas. Ela disse que, quando as mulheres buscam ajuda, frequentemente estão em fase de escalada da violência.
O Atlas também indicou que, embora o número de mulheres mortas no ano passado tenha sido o menor desde 2014, os assassinatos dentro de residências permaneceram estáveis. Samira Bueno afirmou que isso demonstra que o país não interrompeu a violência doméstica. O governo federal, por sua vez, lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, que inclui a criação de Cadastro Nacional de Agressores e a ampliação de medidas protetivas, segundo o Ministério das Mulheres.

