O dólar encerrou junho cotado a R$ 5,16, registrando queda de 5,95% nos primeiros seis meses de 2026. O desempenho foi marcado por valorização inicial do real, interrompida por tensões geopolíticas e pela postura do Federal Reserve, segundo analistas.
O primeiro semestre de 2026 apresentou duas fases distintas para a moeda americana. Inicialmente, a valorização do real ocorreu entre janeiro e março, beneficiada pelo cenário favorável a commodities antes do conflito entre Irã e Estados Unidos. Contudo, a escalada de tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos em março aumentou a aversão ao risco global, levando investidores a buscar proteção na moeda norte-americana.
Economistas apontam que o diferencial de juros e a política monetária dos Estados Unidos influenciaram o câmbio. Matthew Ryan, head de estratégia de mercado global da Ebury, afirmou que o dólar manteve força devido à postura mais dura do Federal Reserve. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, explicou que o tom hawkish do Fed e o estreitamento do diferencial de juros entre Brasil e EUA contribuíram para a alta de 2,7% em junho.
Para o segundo semestre, há riscos que podem reverter a valorização acumulada do real. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, alertou para a volatilidade do mercado e a perspectiva de juros americanos elevados. A projeção da Nomad indica que o câmbio pode retornar gradualmente aos níveis de fim de 2025, encerrando 2026 em torno de R$ 5,40 por dólar.
Rodrigo Caetano, gerente de investimentos no Sicredi Soma, observou que a curva de contratos futuros na B3 aponta para estabilidade no curto prazo. Apesar disso, o estrategista da Ebury vê espaço para desvalorização do dólar em horizonte mais longo, caso o mercado precifique futuros cortes de juros nos Estados Unidos a partir de 2027.

