A duplicata escritural avança em ritmo desigual no Brasil, apesar de ser vista como mudança chave no mercado de antecipação de recebíveis. O novo modelo, que visa digitalizar operações de um mercado que movimenta cerca de R$ 10 trilhões anuais, enfrenta resistência e baixa conscientização do setor produtivo.
O conhecimento sobre a duplicata escritural ainda é limitado. Um levantamento da fintech Monkey indicou que 50% dos fornecedores consultados nunca ouviram falar do tema. Apenas 15,4% disseram conhecer bem o assunto, enquanto mais de 70% não souberam identificar as mudanças que a digitalização trará para o cotidiano empresarial.
O Banco Central estabeleceu um cronograma de implementação gradual. As registradoras B3, Núclea e Cerc aguardam autorização para iniciar a produção assistida, fase de testes com clientes restritos. A obrigatoriedade total começa em junho de 2027 para grandes companhias, sendo estendida para médias e pequenas empresas até 2028.
Especialistas apontam que a adaptação dos processos internos é um desafio. A V360 informou que cerca de 10% dos títulos atuais possuem inconsistências cadastrais. Além disso, o novo sistema reduz o prazo de validação de nota fiscal de 22 dias para 10 dias, sendo o título aceito automaticamente se não houver manifestação.

