A duplicata escritural, instrumento que movimenta cerca de R$ 10 trilhões anualmente no mercado de antecipação de recebíveis, ainda enfrenta lentidão na adoção pelas empresas. Apesar do cronograma de implementação em fases estabelecido pelo Banco Central, grande parte do setor produtivo demonstra desconhecimento sobre o novo modelo.
Apesar do potencial de destravar R$ 11 trilhões em crédito, a preparação dos sistemas para o novo modelo ainda é lenta. Uma pesquisa realizada pela fintech Monkey indicou que metade dos fornecedores consultados nunca ouviu falar em duplicata escritural. Mesmo entre os participantes que conhecem a ferramenta, a maioria não sabe os prazos regulatórios e não visualiza as mudanças práticas da digitalização.
O Banco Central estabeleceu um cronograma de implementação gradual. A fase de produção assistida deve começar em julho de 2026, com a autorização das registradoras aptas a atuar como escrituradoras prevista para este mês. A obrigatoriedade será escalonada: grandes empresas começarão em junho de 2027, e o processo deve se estender até 2028 para pequenas empresas.
A adaptação tem sido mais rápida entre as grandes corporações, segundo a diretora de novos negócios da Monkey, Roberta Ferraz. Contudo, especialistas apontam gargalos operacionais. A V360 estima que cerca de dez por cento dos títulos gerados em antecipação apresentam erros cadastrais, o que trava a validação das notas fiscais, um processo que, no regime escritural, terá apenas dez dias para aceitação.

