A economia brasileira mostra sinais de desaceleração no segundo trimestre, após crescer 1,1% do PIB nos três meses iniciais de 2026. O governo implementa um pacote de estímulos, que mobiliza mais de R$ 180 bilhões, para atenuar a perda de ritmo antes das eleições de outubro.
Especialistas classificam a desaceleração como gradual. O pacote de estímulos inclui linhas de crédito com juros menores que os de mercado, renúncias fiscais e subvenções. Recentemente, o governo anunciou R$ 18,5 bilhões em financiamento para empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, recursos oriundos de sobras do programa Brasil Soberano 1 e renegociação de dívidas rurais.
O economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco Austin Rating, afirmou que as medidas “amortecem a desaceleração, mas não vão gerar um ímpeto surpreendente para a atividade econômica”, prevendo avanço de 0,5% para o PIB do segundo trimestre. A política monetária, com juros altos para conter a inflação, é apontada como principal fator para a perda de ritmo.
Outros analistas projetam crescimento maior. Claudia Moreno, do C6 Bank, prevê alta de 0,7% para o PIB do segundo trimestre. Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Way Investimentos, alerta para o impacto fiscal, dizendo que as medidas “amortecem [a desaceleração], mas estão contratando uma dor de cabeça para a frente porque isso vai virar dívida”.

