A crescente disputa entre Estados Unidos e outros países pelo controle dos sistemas de pagamentos digitais sinaliza uma transformação na ordem financeira global. O episódio, que envolveu uma proposta de tarifa de 25% por Washington contra o Pix, evidencia a fragmentação da infraestrutura financeira internacional.
A revista britânica The Economist afirmou que a ofensiva americana contra o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos reflete um movimento mais amplo de desagregação do domínio tradicional de empresas americanas e do dólar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o Pix como conquista nacional, enquanto o senador Flávio Bolsonaro rejeitou o abandono, mas sugeriu limites para conexões internacionais do sistema.
A preocupação com a dependência da infraestrutura americana se expande. Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, declarou a necessidade de os europeus terem os pagamentos digitais sob controle, impulsionando o desenvolvimento de sistemas próprios. Paralelamente, a China fortaleceu o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS), que movimentou 920 bilhões de yuans por dia em março.
A tendência de interligação de sistemas nacionais, como Pix e UPI, ganha relevância. Especialistas apontam que conectar sistemas diretamente é uma rota viável para a independência financeira, ameaçando o domínio de Visa e Mastercard. Contudo, a fragmentação gera riscos, e um estudo citado pela publicação estima que isso pode reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 2,6% até 2030.

