O economista Roberto Dumas avalia que a proposta de acordo de livre-comércio entre Brasil, Estados Unidos, México e Canadá dificilmente será concretizada no primeiro mandato presidencial. Segundo Dumas, a complexidade das negociações se assemelha ao processo entre Mercosul e União Europeia, que levou 25 anos.
Dumas afirmou que a concretização de um tratado depende da disposição dos norte-americanos. Ele defendeu que acordos de livre-comércio ampliam a concorrência e reduzem custos para os consumidores, criticando políticas protecionistas. O economista declarou que medidas protecionistas prejudicam 5 mil empregos, mas também afetam 215 milhões de brasileiros que seriam forçados a comprar produtos mais caros.
O especialista citou a necessidade de integração às cadeias globais de produção, mencionando países como Coreia do Sul, China e Estados Unidos. Sobre a demora do acordo Mercosul-UE, Dumas atribuiu parte da responsabilidade aos governos petistas, que alegaram que as indústrias não estavam preparadas para o livre-comércio.
Além do comércio, Dumas questionou a distribuição de recursos no Brasil, apontando que o país destina mais verba ao ensino superior do que ao fundamental. Ele ressaltou que a abertura comercial deve ser acompanhada por investimentos em infraestrutura e saneamento básico, e criticou o elevado gasto público com benefícios sociais.

