O retorno do fenômeno El Niño coloca o clima no centro das discussões de saúde pública no Brasil. As alterações no regime de chuvas e temperaturas influenciam diretamente as condições que favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya.
O El Niño pode provocar chuvas intensas em algumas localidades e estiagens prolongadas em outras, além de elevar as temperaturas. Essas variações alteram a dinâmica territorial, criando ou deslocando criadouros do mosquito e dificultando o controle das arboviroses. Por isso, o monitoramento contínuo do território se torna essencial para identificar riscos e adaptar estratégias de prevenção.
Renato Mafra, diretor de operações do Techdengue, afirmou que a prevenção deve ser dinâmica. Ele disse que “prevenir não é fazer sempre a mesma coisa. É entender como o território está se comportando naquele momento”, reforçando a necessidade de atuação estratégica antes do aumento dos casos.
Diante do desafio de monitorar grandes áreas com equipes reduzidas, ferramentas de inteligência territorial ampliam a capacidade operacional dos municípios. O uso de drones, por exemplo, mapeia grandes extensões, gerando imagens de alta resolução para identificar criadouros e otimizar o direcionamento das equipes de campo.
O programa Techdengue, que utiliza geotecnologias, já apoiou mais de 630 municípios brasileiros. Segundo o programa, foram mapeados mais de 260 mil hectares e identificados mais de 660 mil possíveis criadouros, auxiliando gestores na tomada de decisões baseadas em dados atualizados.

