R$ 97 milhões de emendas, indicadas pelo presidente do PL, foram enviados na semana anterior ao limite legal para recursos federais antes das eleições municipais de 2024. A Polícia Federal investiga o envio, que concentrou grandes repasses a cidades estratégicas para o partido.
A legislação veda a transferência de recursos da União a estados e municípios nos três meses que antecedem o pleito. No período imediatamente anterior ao fechamento da janela eleitoral, seis repasses para Suzano (SP), Porto Seguro (BA), Caraguatatuba (SP), Bebedouro (SP), Ubatuba (SP) e Rio de Janeiro (RJ) somaram R$ 96,7 milhões. A maioria dessas emendas foi empenhada em 26 de junho de 2024.
Suzano, na Grande São Paulo, recebeu R$ 26,8 milhões, o maior destino individual. Na época, a cidade era governada pelo PL, e o prefeito trabalhava para eleger um sucessor do mesmo partido. O segundo maior repasse foi para a Bahia, com R$ 24,9 milhões. O ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do dirigente e a suspensão das despesas ligadas às emendas.
A investigação aponta que as emendas eram indicadas pelo dirigente, que não possui mandato de deputado federal, e registradas em nome de deputados solicitantes para dar aparência de legalidade. Documentos de Caraguatatuba, por exemplo, atribuíram os maiores repasses à “Comissão da Saúde — Waldemar Costa Neto”, contradizendo registros oficiais da Câmara dos Deputados.

