O ensino superior privado no Brasil apresenta uma disfunção estrutural, onde a precificação se baseia em métricas contábeis ilusórias. Dados do Instituto Semesp indicam que as mensalidades efetivamente cobradas são 30% a 45% menores que os valores oficiais reportados ao Ministério da Educação (MEC).
A disparidade entre o valor nominal e o praticado é um sintoma de maquiagem mercadológica. Em modalidades como Ensino a Distância (EAD) e semipresencial, os abatimentos chegam a 65% e 50%, respectivamente. Essa prática corrói a transparência informacional, apesar de a legislação exigir a fidedignidade dos custos reais.
O erro metodológico central reside no fato de que as instituições privadas baseiam seu planejamento financeiro no número de matrículas iniciais, e não no número real de concluintes. Com uma taxa de evasão média superior a 60%, o planejamento baseado na captação inicial falha. Os comitês financeiros utilizam o termo “permanência” para justificar o abandono, mas a análise aponta falência na percepção de valor pelo estudante.
A precarização também afeta o capital humano, com reitores e diretores recebendo remunerações aviltadas. O setor comercializa a educação como mercadoria de baixo custo, ignorando a complexidade do serviço. A nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) exige maior autonomia analítica dos futuros egressos, que podem boicotar currículos de baixa qualidade.

