As entrevistas presenciais, que retornaram ao cenário midiático, enfrentam um desafio com a ascensão dos ‘cortes de Instagram’. Esse fenômeno prioriza falas isoladas e bombásticas em redes sociais, diminuindo a relevância do debate completo entre perguntador e respondedor.
Profissionais de diversas áreas, como engenheiros, músicos e advogados, buscam o formato de entrevista clássica. Esse modelo, aprimorado pelo jornalismo, estabelece uma verticalidade entre o perguntador e o respondedor, oferecendo um convívio raro e humanizante. A escuta atenta e o interesse pelas ideias do entrevistado são aspectos valorizados nesse formato.
Contudo, o eixo central da entrevista está mudando. A busca por um fluxo emocional intenso cede lugar ao que se chama de “corte de Instagram”. Entrevistados relatam que suas falas são preparadas com a consciência de serem usadas em trechos curtos, visando a viralização.
A edição das entrevistas passa a ser compartilhada com os entrevistados. No dia seguinte à conversa, antes da publicação integral por veículos de comunicação, cortes já são divulgados nas redes sociais. Isso faz com que o debate completo soe envelhecido e inferior à fala isolada, ameaçando o ressurgimento da entrevista pura.

