A oferta de chips de memória tornou-se um novo gargalo na cadeia de tecnologia global, limitando o avanço da inteligência artificial. Segundo o professor Pedro Teberga, o fenômeno, chamado de “RAMageddon”, deve pressionar os preços de equipamentos eletrônicos e restringir o ritmo da IA nos próximos anos.
Atualmente, apenas três grandes fabricantes de memória dominam o mercado mundial: Samsung, SK Hynix e Micron. Com o crescimento exponencial da inteligência artificial, essas empresas concentram sua capacidade produtiva em memórias HBM, utilizadas nos sistemas de IA. Esse direcionamento resulta em menor oferta e aumento de custos para memórias convencionais, usadas em celulares, computadores e carros, afirmou o especialista.
O desequilíbrio entre oferta e demanda deve se manter por pelo menos dois a três anos, período necessário para a indústria ampliar sua capacidade produtiva. Teberga explicou que a escassez de memória é apenas um dos desafios; energia, GPUs e outros componentes também representam gargalos cruciais, pois toda a infraestrutura deve evoluir em conjunto.
A expansão da produção desses componentes demanda investimentos bilionários e projetos de longo prazo. O professor concluiu que, se as indústrias de suporte não crescerem na mesma velocidade da demanda, empresas como OpenAI e Anthropic terão dificuldade em manter o ritmo de expansão esperado para a inteligência artificial.

