Um conselheiro econômico afirmou que o mercado de títulos atingiu um limite de capacidade, pois a demanda por financiamento de plataformas de tecnologia, governos e corporações supera a oferta disponível. Segundo o especialista, o setor de inteligência artificial não conseguirá ser sustentado sem um aumento nos rendimentos dos títulos.
Mohamed El-Erian, conselheiro econômico da Allianz, declarou em entrevista que o mercado de títulos enfrenta um limite estrutural. Ele explicou que há mais usos de fundos do que fontes de financiamento, e a única forma de equilibrar essa equação, sem uma recessão, é através de rendimentos mais elevados. O especialista também mencionou que fontes de financiamento do Oriente Médio podem reduzir o aporte de capital, pois essas economias redirecionam recursos para reconstrução local.
A dificuldade de financiamento é ilustrada pela emissão de títulos da Amazon, que foi fraca, apesar da previsão de gastos de capital de cerca de US$ 200 bilhões em 2026 para infraestrutura de IA. A empresa registrou um aumento no endividamento de longo prazo, que subiu para US$ 119,1 bilhões. El-Erian também comentou que a economia da IA está mais cara do que o esperado, forçando investidores a adotarem uma mentalidade de capital de risco.
Os indicadores de mercado refletem essa pressão. Em 9 de julho de 2026, o rendimento do Tesouro de 10 anos estava em 4,54%, e o de 20 anos havia subido para 5,08%. A análise sugere que, com a demanda por capital crescendo mais rápido que o pool de fundos, os rendimentos precisarão permanecer altos para atrair compradores, indicando maior seletividade dos investidores.

