Um especialista em capital de risco afirmou que o crescimento da inteligência artificial pode mascarar o maior erro de alocação de capital da história. Segundo o analista, os retornos financeiros das empresas que adotam a tecnologia não acompanham o ritmo do investimento.
O especialista, Chamath Palihapitiya, argumentou que os resultados de produtividade da IA não estão alinhados com o volume de gastos. Enquanto empresas investem centenas de bilhões em infraestrutura, o crescimento de lucros no índice S&P 493 — que exclui as maiores empresas de tecnologia — mostra apenas cerca de 9% de crescimento de lucros por ação desde a popularização da IA generativa. Contudo, Palihapitiya acredita que apenas 0% a 2% desse ganho deriva da produtividade real da IA.
Dados de pesquisas de CEOs indicam a dificuldade em obter retorno. Um levantamento da PwC de 2026 revelou que 56% dos CEOs não registraram aumento de receita ou redução de custos com IA. Esse cenário, chamado de ‘purgatório de testes’, mostra que o investimento migrou de orçamentos de inovação para custos operacionais, sujeitando-o ao escrutínio dos diretores financeiros.
O analista ressaltou que, embora tecnologias transformadoras exijam tempo para gerar lucros, o capital tem custo. Se o gasto em IA continuar acelerando, os investimentos precisam gerar retornos acima da taxa livre de risco. A próxima fase do mercado exigirá provas de que a IA expande margens e gera lucros mensuráveis, e não apenas demonstrações de capacidade.


