O rompimento do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, após ataques bilaterais na quarta-feira (08), beneficia o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, segundo análise de especialistas. Fernando Brancoli, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que a escalada de tensões favorece a situação política do líder em Israel.
Israel atravessa dificuldades internas, com crise econômica e política. Dados recentes indicam queda nos índices ligados ao PIB, reflexo dos conflitos. Brancoli comentou que o país enfrenta déficit de mão de obra, pois parte da população foi deslocada para as Forças Armadas.
O professor explicou que Netanyahu utiliza a manutenção do conflito como ferramenta para impedir sua substituição política e barrar investigações sobre corrupção ou sua atuação após os ataques do Hamas em outubro. Ele declarou que “se tem alguém comemorando nesse momento, certamente é Netanyahu, na medida em que se apropria desse estado de exceção para garantir que não vá sofrer consequências políticas internamente dentro de Israel”.
A análise também apontou o papel de aliados regionais, como Arábia Saudita e Emirados Árabes, cujas economias sofrem com a guerra. Brancoli mencionou que o cenário externo inclui eleições americanas no final do ano e preocupações com a inflação, fatores que agravariam com o fechamento do Estreito de Ormuz.

