O Federal Reserve (Fed) deve elevar a taxa de juros em pelo menos mais duas vezes, em incrementos de 0,25 ponto percentual, segundo o especialista Marcos Moreira, sócio da Garten Capital. A previsão se baseia na persistência de riscos inflacionários nos Estados Unidos, o que afasta cortes de juros no segundo semestre.
Moreira afirmou que, apesar da melhora recente nos dados de inflação, as informações são insuficientes para definir a política monetária em setembro. O banco central norte-americano monitora a inflação e o nível de emprego, seguindo seu mandato duplo. O comitê adotou um tom mais rígido na última reunião, e três dirigentes defenderam a elevação dos juros.
O analista citou a ferramenta FedWatch, do CME Group, que indicava uma probabilidade próxima de 60% de aumento da taxa em setembro. Além disso, o conflito no Oriente Médio elevou a incerteza, e o petróleo retornou à faixa de US$ 90 por barril, o que pode dificultar a convergência da inflação à meta.
Moreira declarou que, dado o contexto de riscos de choque inflacionário, “dificilmente o Banco Central vai conseguir manter os juros nos níveis atuais”. Ele também avaliou que a comunicação do Fed tem sido sucinta, aumentando a dependência dos dados futuros até setembro.

