Empresas frequentemente demonstram sinais de dificuldade financeira por meses antes de um colapso aparente. Pedro Henrique Torres Bianchi, advogado especializado em reestruturação empresarial, explica que esses indicadores, como atrasos em pagamentos e cortes de custos, são percebidos por funcionários e fornecedores.
Segundo Bianchi, a crise de uma companhia não é um assunto exclusivo dos proprietários, pois afeta o salário, o aluguel e o caixa de quem vende a prazo. Os sinais mais visíveis incluem atrasos rotineiros em salários, vale, impostos e fornecedores. Soma-se a isso a redução de estoques, promoções fora de época para gerar caixa e a mudança frequente de fornecedores, indicando corte de crédito.
O especialista comenta que a percepção antecipada desses fatos permite que empregados e pequenos fornecedores ajustem suas exposições financeiras. Ele alerta que o medo de admitir a crise leva muitos donos ao silêncio, o que resulta em descobertas tardias pelo mercado, como protestos ou ações de cobrança.
Quando a dificuldade se torna insustentável, a recuperação judicial pode ser acionada. Bianchi afirma que o processo, quando conduzido a tempo, preserva mais empregos e pagamentos, pois mantém a empresa em operação. Ele declara que a alternativa ao processo é frequentemente o fechamento, gerando mais prejudicados.

