Especialistas debateram na quinta-feira (16) a dificuldade do Brasil em definir um projeto nacional, comparando o modelo de desenvolvimento de Juscelino Kubitschek (JK) com os entraves atuais. Os participantes afirmaram que o país se encontra ‘à deriva’, necessitando de um novo pacto social para avançar.
Daniel Arão Reis, historiador da UFF, declarou que o Brasil, apesar de rico em recursos, carece de um norte claro, caracterizando um ‘marasmo social’. Ele lembrou que, no governo JK, havia um compromisso com a industrialização e a soberania nacional, sustentado por grupos executivos que mobilizavam a sociedade para enfrentar oposições.
Carlos Frederico Rocha, professor da UFRJ, apontou que as condições estruturais mudaram profundamente. Enquanto JK tinha recursos públicos disponíveis, o orçamento federal hoje está engessado, com cerca de 90% de gastos obrigatórios. Rocha explicou que a autonomia de burocracias como Petrobras e BNDES torna a coordenação do Executivo mais lenta.
Os especialistas também analisaram o mercado de trabalho e a mobilização social. Rocha mencionou que o excedente de mão de obra que impulsionou o desenvolvimento na década de 50 não existe mais, exigindo maior qualificação. Reis complementou que as bases populares, que apoiavam projetos políticos no passado, estão hoje fragmentadas pela revolução científico-tecnológica.

