Especialistas em neurologia e geriatria desmentem oito mitos comuns sobre a doença de Alzheimer, alertando que informações distorcidas podem dificultar o diagnóstico e atrasar o tratamento. A doença ainda é cercada por tabus, mas há intervenções que podem retardar a progressão dos sintomas, segundo os profissionais.
Apesar de não haver cura para o Alzheimer, a comunidade médica afirma que há tratamentos e intervenções que podem estabilizar ou retardar a progressão dos sintomas, especialmente se iniciados precocemente. A geriatra Claudia Suemoto, professora da Universidade de São Paulo (USP), explica que além dos medicamentos, a estimulação cognitiva, atividade física e controle de doenças cardiovasculares impactam a funcionalidade do paciente.
Outro equívoco combatido é a ideia de que a perda de memória é normal do envelhecimento. Claudia Suemoto declara que a perda frequente e progressiva não faz parte do processo natural, e subestimar esses sinais atrasa a avaliação de causas tratáveis, como deficiências vitamínicas ou depressão.
Sobre os tratamentos, Ricardo Afonso Teixeira, diretor do Instituto do Cérebro de Brasília, esclarece que as medicações disponíveis modulam a neurotransmissão para melhorar o estado clínico, mas não interrompem as alterações patológicas da doença. Ele também ressalta que exames de risco devem ser feitos por médicos especializados, e não pela população geral.
Os especialistas também alertam sobre os riscos de tratamentos não comprovados, como o canabidiol, que pode levar ao abandono de terapias indicadas. Além disso, Leandro Minozzo, geriatra, enfatiza que o cuidado de um familiar com Alzheimer não pode ser feito sozinho, pois gera sobrecarga física e emocional no cuidador.

