Estudiosos debateram na Feira Literária Internacional de Paraty que o Rio de Janeiro precisa abandonar soluções antigas e construir políticas públicas baseadas em dados e redução de desigualdades. Os participantes, incluindo Cecília Olliveira e Raull Santiago, apontaram a segurança pública como tema central para 2026.
Durante o debate “O Rio tem jeito?”, realizado na Casa República, os especialistas discutiram o avanço de facções criminosas e milícias, a expansão da criminalidade e os impactos da desigualdade. Cecília Olliveira afirmou que operações baseadas em investigação e inteligência são alternativas ao confronto permanente, mas são “desprezados” nas políticas estaduais de segurança pública. A jornalista também alertou que o Brasil se tornou um protagonista global na cadeia de produção e refino de drogas.
Raull Santiago, ativista, destacou que a fragmentação territorial fluminense resultou de escolhas políticas e defendeu que as periferias devem ser reconhecidas como espaços de solução. Segundo ele, “Na favela, a gente não fragmenta. A gente costura, cria pontes, dá o braço. A favela constrói soluções para crises”.
Ricardo Henriques relacionou os desafios do Rio à crise democrática brasileira, dizendo que a retomada do estado passa pela “radicalização da democracia”. Por fim, Fábio Giambiagi refletiu sobre a necessidade de o estado recuperar sua capacidade de planejamento. Os participantes concluíram que a reconstrução do Rio exige sinergia entre segurança eficiente, investimento social e enfrentamento das estruturas criminosas.


