Um estagiário do Ministério Público do Paraná (MP-PR) foi demitido e acusado de corrupção passiva após oferecer serviços jurídicos a um homem denunciado por violência doméstica. A proposta, feita em troca de isenção na mensalidade de academia, levou à investigação do órgão, que descobriu o ato em março de 2026.
O estagiário, que realizava residência técnica na Promotoria de Justiça de Pitanga, entrou no MP-PR em 7 de janeiro. A conduta foi descoberta em 5 de março, quando a própria vítima de violência doméstica denunciou o caso ao órgão. Segundo o MP-PR, o servidor utilizou seu acesso à documentação sigilosa do processo para captar cliente e solicitar vantagem indevida ao propor o acordo ao dono da academia.
As mensagens trocadas indicam que o estagiário, alegando estar “apertado nas contas”, ofereceu o acompanhamento do processo por meio de sua mãe, advogada. Além disso, ele orientou o acusado a contratar um advogado particular, afirmando ter visto nos autos que a vítima não possuía provas da violência. O órgão negou acordo de não persecução civil devido à gravidade da conduta.
O servidor se tornou réu pelos crimes de quebra de sigilo funcional e corrupção passiva. O MP-PR também ajuizou ação civil para impor sanções por ato de improbidade administrativa. A Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR) informou que a atuação em programas de residência jurídica impõe restrições ao exercício concomitante da advocacia.

