Investidores estrangeiros retiraram R$ 7,78 bilhões da Bolsa brasileira em junho, segundo dados da B3. A saída acendeu um sinal de cautela no mercado local, embora o saldo acumulado no primeiro semestre permaneça positivo em R$ 33,8 bilhões.
O fluxo de recursos estrangeiros, que teve forte entrada no início do ano, passou por uma reversão parcial a partir de meados de abril. Eduardo Amorim, especialista em investimentos, afirmou que o fluxo deve ser lido em um ambiente global mais assimétrico, onde mercados desenvolvidos focam em tecnologia e tensões geopolíticas.
Amorim explicou que a atração de capital para a B3 se deu, inicialmente, pelo diferencial de juros e pela renda fixa local, e não apenas por uma tese estrutural de ações. Danilo Coelho, economista, destacou que o início de tensões internacionais impactou negativamente o apetite por ativos de risco, levando à retirada gradual de recursos.
André Neves, advogado, apontou que a saída tem componentes técnicos e estruturais. O retorno do foco em inteligência artificial nos mercados americanos e a combinação de juros altos lá fora com o ciclo eleitoral brasileiro aumentam o prêmio de risco exigido. Neves avalia que o movimento é mais uma desaceleração do que uma virada estrutural.
Para uma retomada do fluxo, especialistas indicam a necessidade de menor aversão global a risco, clareza fiscal e redução das incertezas eleitorais. Amorim concluiu que a bolsa brasileira precisa se diferenciar por qualidade e disciplina fiscal para atrair capital de forma sustentável.

