Estrategistas de bancos e corretoras mantêm visão construtiva sobre o mercado de ações brasileiro, mesmo após um semestre de oscilações. As instituições apontam que o país possui valuations descontados e potencial de melhora macroeconômica, o que pode destravar valor nos próximos trimestres.
O principal argumento dos otimistas é o valuation das ações locais. O Goldman Sachs reiterou recomendação de compra, afirmando que as ações brasileiras negociam a cerca de 8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, patamar considerado atrativo. O Morgan Stanley compartilha essa leitura, indicando que a Bolsa negocia perto de um cenário pessimista, o que favorece investidores de longo prazo.
A XP Investimentos destaca que o sentimento excessivamente negativo dos investidores pode funcionar como um indicador contrário para o mercado. Além disso, a saída de capital estrangeiro, impulsionada pela concentração em inteligência artificial, pode gerar uma rotação de recursos para mercados ligados a commodities e ações de valor. O Morgan Stanley também aponta que o pleito de 2026 pode reduzir o prêmio de risco do Brasil, calculando que uma compressão poderia direcionar cerca de US$ 10 bilhões da renda fixa para a bolsa.
Analistas também veem espaço para reprecificação de setores domésticos caso haja alívio nas expectativas de juros. O Goldman Sachs explicou que qualquer alívio na reprecificação das expectativas para os juros tende a beneficiar ações sensíveis ao ciclo doméstico, como bancos e utilities. Os lucros corporativos, especialmente de empresas exportadoras, continuam resilientes, segundo o Morgan Stanley.

