Estudantes e representantes de instituições particulares de ensino superior defenderam a revisão das regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. O debate concentrou-se no financiamento de cursos de medicina, onde foram levantadas questões sobre reajustes de mensalidades e a qualidade do ensino oferecido.
O diretor de Gestão de Fundo e Benefícios do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), André Gustavo Carvalho, informou que o governo aumentou em 30% o teto das mensalidades de medicina financiáveis no ano passado. Com o reajuste, o valor financiável subiu de R$ 60 mil para R$ 78 mil semestrais.
Um estudante de Medicina defendeu que o Ministério da Educação condicione a concessão do financiamento ao cumprimento das regras governamentais. Ele relatou denúncias de faculdades que elevam mensalidades acima de 200% e sugeriu vincular o financiamento à qualidade dos cursos, citando resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) que apontam ensino insatisfatório.
A presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, Elizabeth Guedes, afirmou que problemas do Fies decorrem de mudanças feitas durante o governo de Michel Temer, e que o modelo de cobrança gerou crescimento da inadimplência. Para mitigar isso, o presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares, Juliano Griebeler, propôs vincular o pagamento das parcelas à renda do estudante após a formatura. André Gustavo Carvalho concordou com a sugestão, dizendo que ela já está em discussão no conselho gestor do Fies.


