Pesquisadores utilizaram modelos computacionais para simular a disseminação de narrativas de cavalaria medievais, concluindo que até 60% dos textos e mais de 95% dos manuscritos desse período podem ter se perdido para a história.
A análise se baseia no fato de que, antes da invenção da prensa, a cópia de textos era feita manualmente, gerando variações que se propagavam em todas as reproduções. O estudo, conduzido por pesquisadores da École nationale des chartes, Paris Sciences & Lettres University, buscou confirmar estimativas anteriores sobre a grande quantidade de material perdido.
O trabalho, que segue a linha de estudos anteriores, considera a genealogia dos manuscritos como um processo dinâmico. A metodologia leva em conta fatores como guerras, pandemias e a queda na popularidade de uma obra, permitindo alinhar a teoria com dados históricos. Segundo o principal investigador, o estudo fornece uma ferramenta para entender o que não se sabe sobre o passado.
Os pesquisadores planejam expandir a investigação para textos mais antigos, como peças gregas antigas, e também analisar transferências culturais entre regiões da Europa Medieval, como França, Islândia e Espanha. O objetivo é entender como diferentes ‘ecossistemas’ regionais afetaram a diversidade e a sobrevivência dos textos.

