Um levantamento da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados indica que a dívida pública brasileira pode superar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2032 e 2035. O estudo, elaborado por Paulo Bijos, alerta para a necessidade de medidas estruturais urgentes para garantir a sustentabilidade fiscal do país.
O levantamento, que analisa o limite seguro para o endividamento nacional, aponta que a dívida bruta atual está em 81,1% do PIB. Embora a equipe econômica preveja uma queda a partir de 2029, o consultor Bijos defende que o país mantenha uma margem de segurança para enfrentar crises, citando que a postura prudencial deve preservar distanciamento dos limites máximos.
O estudo também identifica a ‘fadiga fiscal’, fenômeno em que o país perde capacidade de gerar superávits primários. Isso ocorre devido à resistência a aumentos de impostos e ao crescimento de despesas obrigatórias, impulsionado pelo envelhecimento populacional. Para manter a dívida em 80% do PIB, o levantamento calcula que seria necessário um ajuste fiscal de cerca de R$ 330 bilhões por ano em valores atuais.
As conclusões do documento recomendam que o país antecipe reformas fiscais profundas, em vez de depender apenas de ajustes pontuais. Segundo Bijos, adiar esse ajuste aumenta os custos da dívida no longo prazo. O estudo avalia que o debate sobre reformas estruturais deve ganhar força após as eleições deste ano.

