Um estudo publicado na revista científica American Antiquity explica o abandono do costume de enterrar familiares dentro de residências ao longo da história. A pesquisa, liderada pela arqueóloga Sabina Cveček, analisou 49 sítios e comparou com 60 sociedades, revelando que o hábito caiu de 33% para 12% nas sociedades mais recentes.
Os pesquisadores afirmaram que o sepultamento residencial fazia parte da vida cotidiana e reforçava a ligação entre gerações, pois as casas funcionavam como locais de memória compartilhada entre vivos e mortos. Contudo, a nova análise não encontrou evidências estatísticas que apoiassem a antiga teoria de que o enterro doméstico marcava a posse de terras.
Segundo o estudo, a principal causa do desaparecimento da prática foi a transformação cultural impulsionada pela expansão de grandes religiões e processos de colonização. Tradições como o cristianismo e o hinduísmo passaram a promover novos rituais funerários, direcionando os sepultamentos para cemitérios comunitários ou incentivando a cremação.
Exemplos arqueológicos ilustram o costume antigo. Na Sérvia, o sítio de Lepenski Vir, ocupado entre 6300 e 6000 a.C., mostrou túmulos de crianças ao lado das paredes das casas. Em El Palmillo, no México, uma residência de 700 a 850 d.C. possuía câmaras funerárias subterrâneas acessíveis pelo pátio.

