Um estudo brasileiro analisou o perfil genético de 1.131 tumores de câncer de pulmão e identificou que mutações no gene TP53 podem influenciar diretamente o prognóstico e a escolha do tratamento. A pesquisa, realizada no Hospital de Amor, demonstrou que 88% dos pacientes apresentaram alterações genéticas relevantes.
A análise, que avaliou 20 genes associados à doença, incluiu pacientes de todas as cinco macrorregiões do país. Segundo o pesquisador Rui Manuel Reis, diretor científico do Instituto de Ensino e Pesquisa do hospital, o estudo permite entender o que ocorre na prática clínica diária. Os achados indicam que as alterações mais comuns foram nos genes TP53 (58%), KRAS (25,6%), EGFR (20,6%) e ALK (6,6%).
Os dados revelaram que a presença de mutações no TP53 foi associada a pior prognóstico, mesmo em pacientes que recebiam terapia-alvo para EGFR. Reis afirmou que essa informação está mudando a rotina do hospital, pois permite orientar a melhor escolha terapêutica. Um paciente com mutação em EGFR e TP53, por exemplo, pode responder pior à terapia-alvo.
Apesar dos avanços, o acesso a testes genéticos ainda é limitado no Brasil, pois não são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O pesquisador Reis comentou que, sem um teste mais abrangente, o tratamento pode ser inadequado, visto que as terapias-alvo custam entre R$ 20 mil e R$ 40 mil por mês. O estudo sugere que a análise de outros genes além do EGFR é crucial para a medicina de precisão.

