O chefe do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) afirmou que o desmatamento no Brasil confere vantagem comercial desleal ao país. A declaração ocorreu durante reunião econômica e justifica a investigação da Seção 301, que impôs uma taxa extra de 25% em certos produtos brasileiros.
Jamieson Greer, chefe do USTR, declarou que as práticas de desmatamento no Brasil geram uma vantagem injusta aos agricultores norte-americanos. A investigação da Seção 301 foi iniciada após reclamações de anos sobre o tema. Entre os problemas apontados pelos Estados Unidos, além do desmatamento ilegal, estão ordens judiciais sigilosas que forçaram empresas de tecnologia americanas a remover conteúdos políticos e falhas no combate à corrupção.
Greer comentou que as negociações com o governo brasileiro duram mais de um ano, mas não obtiveram resposta satisfatória. Antes da decisão final, o governo brasileiro contestou os fundamentos legais da investigação, sustentando que as medidas unilaterais ferem a soberania nacional. Empresas como Tesla, Coca-Cola e Nestlé manifestaram-se contra a sobretaxa, alegando que ela pode elevar custos para consumidores americanos.
Em resposta à tarifa, o vice-presidente Geraldo Alckmin descartou a aplicação da Lei da Reciprocidade. Ele afirmou que o governo brasileiro negociará, pois a ideia não é retaliação. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que, com base em dados de 2024, cerca de 18% das exportações brasileiras serão atingidas pela sobretaxa.

