Os Estados Unidos anunciaram uma sobretaxa de 12,5% a 37,5% sobre produtos importados do Brasil, afetando setores como máquinas, calçados e agronegócio. A medida, que entra em vigor na sexta-feira, 24, justifica-se pela alegação de que o Brasil não combate efetivamente o trabalho forçado.
A nova tarifa segue um anúncio anterior de 25% dos EUA, que foi motivado por investigações sobre práticas comerciais e regulação digital. A justificativa atual, segundo os EUA, é a falta de combate ao trabalho forçado por parte do Brasil e mais 59 economias. O governo brasileiro declarou que o Ministério do Trabalho apresentou documentação sobre a legislação nacional para coibir bens produzidos por trabalho forçado.
A sobretaxa de 37,5% atinge produtos como calçados, máquinas e equipamentos, elevando o Brasil ao segundo país com maior alta tarifária no governo Trump, atrás apenas da China. A Amcham Brasil avalia que 85,3% das exportações afetadas, um valor anual de US$ 10,7 bilhões, enfrentarão essa sobretaxa acumulada.
Setores industriais projetam perdas; a Abimaq estima que a tarifa pode provocar queda de 10% a 11% nas exportações de máquinas. Apesar das críticas do governo brasileiro, que classificou a medida como “completamente arbitrária e injustificada”, representantes da indústria defendem a negociação. A CNI e a Amcham Brasil opinam que a retaliação seria pouco eficaz, defendendo a retomada do diálogo bilateral.

