O Brasil possui cerca de 25% das reservas mundiais de terras raras, mas não explora o recurso em escala compatível com seu potencial geológico, segundo o diretor de estratégia da Eurasia, Philipe Moura. O analista classificou o país como um “gigante adormecido” no setor de minerais críticos, destacando a importância desses materiais na geopolítica global.
Moura afirmou que a ordem global se fragmentou e que os ativos duros se valorizam no médio e longo prazo. Terras raras são centrais nesse contexto, pois são fundamentais para a produção de chips e inteligência artificial, além de serem vitais para defesa e energia. Em comparação, a China detém 50% das reservas e responde por 70% da produção mundial.
O analista destacou que a vantagem geológica brasileira não se traduz em vantagem econômica, pois as cadeias produtivas de extração e refino ainda não são autossustentáveis. Para viabilizá-las, é necessário um ciclo de investimentos de longo prazo, estimado entre 5 e 10 anos, com capital semente e apetite a risco elevado.
Para o desenvolvimento, Moura defendeu a integração entre setor público, privado e academia. Ele mencionou que o Brasil possui o único laboratório de tecnologia de terras raras para ímãs no hemisfério sul. O governo, segundo ele, deve atuar como um “grande indutor”, criando segurança jurídica para atrair investidores estrangeiros.

